DESCOBERTAS SOBRE CAMINHAR, QUE TE VÃO TIRAR DO SOFÁ!

AVISO! Não aconselhável a quem está desesperadamente a precisar de férias! 🙂

Quem me conhece sabe que eu gosto de correr Mundo! Não sou esquisita no meio de transporte… de barco, de avião, de comboio, de camioneta, de carripana, simplesmente, vou!

Há cerca de 3 anos descobri uma nova forma pela qual me apaixonei… a CAMINHAR!

Para lá dos benefícios ‘científicos’ da Caminhada/Trekking (que podes ler aqui), partilho o que tenho ganho nestas ‘andanças’!

1. CONEXÃO – Apesar de ser um ‘passarinho-da-cidade’, sempre amei o verde, o campo, as montanhas! Quando caminho pela natureza sinto a conexão algo muito maior do que eu. Relembro-me que eu tenho um lugar (mesmo que, no momento, não esteja exatamente a ver qual é!), como tudo na natureza tem o seu lugar, por mais insignificante que pareça!

Conseguem encontrar os humanos? 🙂

2. DESLUMBRE – Uma das coisas que me move na vida, é a beleza. Parece uma coisa fútil, mas não é. É dos 15 Indicadores das Forças de carácter (vê aqui) e na minha vida ocupa o 5º lugar! Gosto de coisas bonitas e para mim, não há nada mais bonito nem mais perfeito que a Natureza!

Eu que nunca vi o Game of Thrones, mas eles escolhem bem os cenários… vejam alguns dos sítios por onde caminhei e eles também! 🙂

Grundarfjörður, na Islândia

3. TRIBO – A primeira vez que fui caminhar com uma empresa a organizar o evento (a Borealis) esperava um grupo de 10 ou 15 pessoas (tinha acabado de regressar de um Caminho de Santiago com mais 2 pessoas e achava que mais do que isso seria uma multidão). Encontrei 50 pessoas!!!! Tudo aos ‘beijinhos e aos abracinhos’ no ponto de encontro e eu a pensar ‘Que raio de seita será esta?!?’. Estive quase a desistir. E, por muitos motivos, uma das melhores decisões da minha vida foi não o ter feito! Agora, felizmente eu pertenço à tribo dos ‘beijinhos e abracinhos’ (ou seita, como ainda lhe chamo carinhosamente!) Dificilmente encontrarás grupos de 50 pessoas, vestidas de fluorescente (ou pelo menos de cores berrantes), em que todos estão felizes, onde não há títulos, nem nomes de família pomposos e onde não interessa se tens 4 anos ou 80, porque todos têm o seu lugar!

Parque Nacional dos Lagos Plitvice, Croácia

4. CLAREZA N(D)O CAMINHOO cérebro está feito para ‘funcionar’ ao ritmo da nossa passada. O ‘ritmo da corrida’ é rápido demais, baralha as ideias! O ‘ritmo parado’ é lento demais, ficas bloqueado. Quando caminho acontece-me uma coisa extraordinária, penso em algo da minha Vida que tenho que resolver e depois ‘distraio-me’ (distraio o consciente) com a perfeição da natureza, mas o inconsciente continua a trabalhar ‘na coisa’… e como por milagre aparece-me uma solução que até aí não me havia chegado. Pode não ser a final, mas veio ‘das profundezas’ (do inconsciente) e é pelo menos melhor do que conseguiria só a pensar (ao nível consciente).

Praia das Catedrais, Espanha

5. SAÚDE – Principalmente mental! Claro que há benefícios físicos por caminhar (como emagrecer, diminuir a tensão arterial, etc. …), mas essencialmente ganhei saúde mental. Com a conexão à natureza, consigo ‘desligar da vida real’. Quando calço as botas, desligo o cérebro do lado esquerdo – o mental, o racional, o que resolve problemas, o dos números, de pensar e ‘dou gás’ ao do lado direito – o de sentir, o dos sonhos, o da arte, o da cor, da intuição, da imaginação e do ritmo. E temos tão poucos momentos nas nossas rotinas para fazer isso… e é tão bom!!

6. RECURSOS – Eu não sou o McGyver, que resolvia tudo com um clip e uma pastilha elástica, nem ando lá perto! Mas com as caminhadas distingo melhor os recursos que tenho e, ainda mais importante, os recursos de que necessito! É inacreditável a quantidade absurda de coisas que carregamos na vida que são inúteis, ou pelo menos desnecessárias (a sério, abram uma carteira de mulher com mais de 10x10cm e procurem… até um colchão insuflável devem encontrar porque ‘pode dar jeito!’ 🙂 ). Nas caminhadas, o que decides carregar tens que levar às costas, por isso, habituas-te a carregar apenas o essencial e a largar tudo o que te dá uma falsa sensação de segurança, mas que na verdade só serve para tornar o teu caminho mais difícil! Aprendes o que são ‘recursos’ e não apenas ‘coisas’.  Valorizas o verdadeiramente essencial, como água em vez de comida, a ‘tribo’ em vez de ‘contactos’, roupa adequada em vez de ‘trapos da moda’ (sim, tenta ir com ir caminhar com jeans push-up skinny e rapidamente encontrarás o caminho para a Decathlon mais próxima! 🙂 ).

Ice-land… recursos escassos! 😉

7. DESAPEGO – Aprendes a dar valor ao essencial e a largar o desnecessário. Trabalhas o desapego ‘à bruta’… 40 pares de sapatos? Não, só precisas de um belíssimo par de botas (pronto, eu tenho 2 porque eu já estava cansada de tirar fotos a corações-de-pedra sempre com as mesmas!). 10 casacos? Não, realmente só precisas de um, com várias camadas, que garantam proteção do frio, do calor e da chuva… Ao caminhar, tudo o que levas vai na tua mochila, tudo mesmo!! – roupa, comida, caixa de primeiros socorros, protetor solar, etc. E quando a ‘tua vida’ vai às tuas costas, descobres rapidamente que menos é mais!

Conseguem ver o coração? <3

8. CONQUISTAS O ‘IMPOSSÍVEL’ – Chegas onde nunca chegarias de outra forma. Não há carro que te leve ao topo de uma montanha (também há helicópteros, mas se saíres de lá a voar é mesmo mau sinal! 🙂 ). Não há sensação de conquista como essa de chegar ao ‘topo do mundo’ (seja a 40m ou a 4000m) e pensar ‘EU consegui! Foram as minhas ricas pernas que me trouxeram até aqui!Aprendes com as metáforas do caminho (com as facilidades ou dificuldades que encontras), muito sobre a forma como andas na vida. Aprendes a respeitar o espaço –  as pedras, ao contrário do Fernando Pessoa que quer com elas fazer um castelo – não são para mexer, nem para trazer, porque os locais são protegidos e assim deve ser a Natureza. Vives as lições do caminho e vives as lições da chegada. E em ambas, a maior lição é que a vitória depende principalmente de ti (pronto, às vezes com uma ajudinha dos guias e do grupo, mas uma pessoa não tem que ser uma ilha, não é? 🙂 )

Picos da Europa

9. GRATIDÃO – Gratidão ao ‘Arquiteto’* que criou este mundo incrível para nós; gratidão ao nosso corpo, que alto ou baixo, gordo ou magro, etc., nos permite chegar onde queremos; gratidão às pessoas que connosco partilham o caminho; gratidão aos guias que se dedicam a prepará-lo para possamos sempre andar com o lado direito do cérebro a comandar; gratidão à morte, que ainda não nos apanhou, e nos permite desfrutar de tudo isto. E Gratidão é o melhor sentimento que podemos cultivar, é a mais incondicional forma de Amor, porque num coração onde há Gratidão, não há espaço para mais nada!

Fragas del Eume, Espanha

10. FUTURO! – As possibilidades são ilimitadas. No nosso Mundo há 193 países e em todos podes caminhar a pé. Caminhar é algo que aprendes nos primeiros meses de vida e que podes fazer (se a saúde te permitir) até ao último dia da tua vida! O teu corpo, é o teu templo, trata-o bem, para que consigas ‘caminhar eternamente ‘por essa Vida fora’!

E agora, ainda queres ficar no sofá? 🙂

Se o ‘Arquiteto’* te deu pernas é porque queria que te mexesses, senão tinha-te dado raízes e eras uma árvore!

Vamos operar um milagre… levanta-te e anda! 🙂

DESAFIO-TE: Escolhe um dia, um percurso ou uma companhia e VAI! Começa pequeno ou grande, mas começa! Eu faço Caminhos de Santiago, ou vou em grupo com a Borealis (que nunca mais ‘larguei’ desde que conheci, vê aqui a agenda deles), ou simplesmente caminho à beira-mar (embora não goste muito por causa do vento). Começa! Hoje!

O que GANHAS com isso? A tua própria experiência, porque quando vais, começas como Caminheiro e acabas como ‘contador de histórias’! 

Itália, Dolomites

The world is big and I want to have a good look at it before it gets dark

John Mur

* Arquitecto é, para mim, a pessoa que construiu o mundo. Para ti, é quem quiseres, pode ser Deus, ou o Big Bang, ou um ET maluco! 🙂

3 thoughts on “DESCOBERTAS SOBRE CAMINHAR, QUE TE VÃO TIRAR DO SOFÁ!

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  3. Vivo nos Açores e fazer trilhos é do melhor! Há tanto para descobrir até na mais pequena das ilhas! Agora também descobri o canyoning! Caminhar no leito dos rios, mergulhar, nadar, fazer rappel por uma cascata abaixo! É uma sensação de liberdade indescritível!. Boas caminhadas e muita diversão!!

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